Comprar um imóvel na planta costuma ser uma escolha estratégica: entrada parcelada, condições mais flexíveis e potencial de valorização até a entrega das chaves. Mas um ponto que pega muita gente de surpresa é a lista de taxas e custos adicionais que podem aparecer antes, durante e depois da assinatura do contrato.
A seguir, você vai entender quais taxas são mais comuns quando alguém decide adquirir um imóvel na planta, em que momento elas aparecem e como se preparar para não estourar o orçamento.
1) Entrada, sinal e parcelas: não são “taxas”, mas mudam seu custo total
Antes de falar das taxas propriamente ditas, vale separar o que é pagamento do preço do imóvel do que é custo extra. Em geral, imóveis na planta incluem:
- Sinal/entrada (às vezes pago no ato)
- Parcelas mensais durante a obra
- Reforços/intermediárias (parcelas maiores em datas específicas)
Isso não é taxa — é parte do valor do imóvel — mas influencia diretamente seu fluxo de caixa e sua capacidade de absorver os custos extras que vêm junto.
2) Taxa de corretagem: quando ela é cobrada e por quê
Uma das cobranças mais frequentes é a taxa de corretagem, referente ao serviço de intermediação do corretor/imobiliária. Em muitos casos, ela é paga pelo comprador e pode vir:
- separadamente do contrato principal, ou
- embutida no fluxo de pagamento, mas discriminada
O mais importante aqui é: essa cobrança deve ser clara e informada antes da compra. Se houver dúvida, peça a planilha de valores e o detalhamento por escrito para evitar surpresas.
3) Comissão/“taxa SATI” e cobranças administrativas: atenção redobrada
Em alguns mercados, você pode ouvir falar em assessoria técnico-imobiliária ou taxas administrativas similares. Elas costumam ser apresentadas como “serviço de apoio documental” ou “orientação jurídica”.
Na prática, esse é um ponto sensível: dependendo de como é cobrado e apresentado, pode gerar questionamentos e conflitos. O caminho seguro é não aceitar nada “no verbal”: peça descrição do serviço, valor, base de cobrança e se é opcional. E se algo parecer imposto sem explicação, vale consultar um advogado ou órgão de defesa do consumidor antes de assinar.
4) ITBI: quando você paga e por que ele pode vir depois
O ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) é uma taxa municipal cobrada na transferência do imóvel. Em compra na planta, normalmente ele não é pago no início da obra — ele aparece mais perto da escritura/registro, geralmente quando o imóvel está pronto para ser formalmente transferido.
Isso significa que muita gente compra achando que está “tudo resolvido”, mas lá na frente precisa desembolsar esse imposto em um período curto. Por isso, vale se planejar desde já.
5) Escritura e registro: custos obrigatórios para colocar o imóvel no seu nome
Além do ITBI, existem os custos de cartório para formalizar o imóvel. Os mais comuns são:
- Escritura pública (quando aplicável)
- Registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis
Em alguns casos, especialmente quando há financiamento, o processo pode mudar (por exemplo, com contrato registrado em vez de escritura tradicional), mas o ponto principal é: sem registro, o imóvel não fica efetivamente no seu nome.
6) Evolução de obra / juros durante a construção: o custo que muita gente não calcula
Dependendo do modelo de compra e da forma de financiamento, pode existir cobrança de juros de obra (também chamada em alguns casos de “evolução de obra”), principalmente quando há financiamento bancário atrelado à construção.
Funciona assim: durante a obra, o banco libera valores gradualmente para a construtora, e podem existir encargos relacionados a essas liberações. O valor varia muito conforme contrato, banco e fase do empreendimento — por isso é essencial pedir simulações e entender as regras antes de assinar.
7) Condomínio e taxa de ligação: despesas que surgem perto da entrega
Quando o empreendimento se aproxima da entrega, podem aparecer custos como:
- taxa de condomínio (às vezes antes mesmo de você morar, dependendo do início da administração)
- taxas de ligação/ativação (água, energia, gás, quando aplicável)
- custos de vistoria e ajustes finais (nem sempre são taxas, mas podem gerar gastos)
Essa fase é crítica porque coincide com mudança, mobília e acabamentos — e tudo tende a acontecer ao mesmo tempo.
8) Personalizações e acabamentos: “opcionais” que viram orçamento real
Imóvel na planta frequentemente oferece itens opcionais: piso, bancada, tomadas extras, automação, pontos de ar-condicionado, fechamentos de varanda. Não são taxas obrigatórias, mas entram como custos adicionais comuns — e podem ser mais baratos durante a obra do que depois.
Checklist rápido: como evitar surpresas
Antes de fechar, peça:
- planilha completa com todos os valores (imóvel + extras)
- memorial descritivo e condições de entrega
- detalhamento de corretagem e eventuais serviços adicionais
- previsão de ITBI + cartório (estimativa)
- explicação clara sobre juros/evolução de obra (se houver)
Ao comprar um imóvel na planta, as taxas variam conforme cidade, construtora e modelo de pagamento, mas quase sempre existem custos além do preço anunciado. A melhor forma de comprar com segurança é entender o que é preço do imóvel, o que é imposto, o que é cartório e o que é cobrança opcional, tudo documentado por escrito. Assim, você evita sustos e toma uma decisão mais tranquila — do contrato à entrega das chaves.
